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Oratória em São Paulo
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Discurso de Formatura
Ilustríssimo Sr. Diretor da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia, Nelson de Luca Pretto; Ilustríssima Srª Coordenadora do Colegiado do Curso de Pedagogia profª Iraci Maria de Azevedo Alves; Ilustríssimo paraninfo da turma profº doutor Edivaldo Boaventura; Ilustríssima patronesse Alice Portugal; Ilustríssima chefe de Departamento e também patronesse da turma, profª Antonia Elisa Caló Oliveira Lopes; Demais componentes da mesa; Senhores e senhoras presentes, boa noite!
Adriana Nascimento Vilas Boas Carla Silva Rebouças Formandas em Pedagogia pela Faced/Ufba.
É com muita alegria que nos reunimos nesta noite para festejar a tão sonhada conquista de nossa formatura. Num cenário social onde a globalização econômica, a introdução acelerada de novas tecnologias passam a exigir aprendizagens imprescindíveis para o desenvolvimento e a melhoria da vida da população, hoje marcada por elevados níveis de pobreza, verifica-se que poucos cidadãos são contemplados com a possibilidade de ingressar e estudar numa universidade pública e de qualidade. Nesse sentido somos privilegiadas e vitoriosas, pois conseguimos superar os desafios que nos foram impostos durante nossa trajetória, permeada por inúmeras greves que se caracterizavam principalmente como uma reação à política neoliberal do governo que insistia na idéia de privatização da universidade, denotando assim o descomprometimento com os ideais educacionais.
Pensar em uma universidade pública de qualidade é pensar numa universidade que proporciona a comunidade acadêmica, a oportunidade de experimentar a pesquisa cientifica, de vivenciar projetos sociais transcendendo seus muros, suas salas de aulas, para numa relação dialógica transformar a comunidade ao mesmo tempo em que se transforma.
Historicamente no Brasil a educação não é prioridade e os investimentos destinados à mesma ainda não ocupam parcela significativa no orçamento da União, dificultando melhores condições de trabalho e a produção do conhecimento, o que compromete a construção do cidadão participativo, autêntico, autônomo, crítico, consciente do seu papel na sociedade.
Reconhecer a importância da educação e valorizar mais os pensadores brasileiros, a exemplo de Anísio Teixeira, Paulo Freire, Florestan Fernandes que proclamaram uma educação democrática e sensível aos anseios da sociedade é o caminho para o desenvolvimento do nosso país. É preciso então promover a mudança, e como brilhantemente colocou nosso presidente Luis Inácio Lula da Silva, em seu discurso de posse, “Para mudar é preciso coragem, cuidado, humildade e ousadia. É preciso mudar tendo consciência de que a mudança é um processo gradativo e continuado”.
Nesse contexto, os profissionais de educação, em especial os pedagogos têm papel essencial, pois somos responsáveis pelas sementes do amanhã, que poderão ser fruto de uma geração de pessoas que conquistaram a verdadeira democracia. Segundo Paulo Freire “A democracia é, como o saber, uma conquista de todos. Toda a separação entre os que sabem e os que não sabem, do mesmo modo que a separação entre as elites e o povo, é apenas fruto de circunstâncias históricas que podem e devem ser transformadas”.
Ao novo educador hoje compete, o desafio de refazer a educação, reinventa-la, criar as condições objetivas para que uma educação democrática seja possível, criar alternativas pedagógicas que favoreçam o aparecimento de um novo tipo de pessoas, solidárias, preocupadas em superar o individualismo criado pela exploração capitalista do trabalho, preocupadas com um novo projeto social e político que construa uma sociedade mais justa, mais igualitária.
Por isso, colegas somos semeadoras e não podemos fugir da responsabilidade de semear. Não digamos que o solo é áspero, que chove freqüentemente, que o sol queima ou que a semente não serve. Não é nossa função julgar a terra e o tempo. Nossa missão é semear.
A semente é abundante! Um pensamento, um sorriso, uma promessa de alento, um aperto de mão, um conselho, um pouco de água, o diálogo, são sementes que germinam facilmente. Não semeies, porém descuidadamente, como quem cumpre uma missão desagradável! Semeemos com interesse, com amor, com atenção, como quem encontra nisto o motivo central de sua felicidade.
Não importa o campo de trabalho, quer na empresa, na instituição escolar, na área de pesquisa, enfim nas diversas atuações do pedagogo, têm-se a possibilidade de construir um mundo melhor.
Nessa perspectiva o curso de pedagogia da UFBA tem muitos méritos por ter atualmente um currículo que contempla uma formação generalista permitindo que o pedagogo atue nos diversos segmentos sociais, além de que, acompanha as transformações do mundo acadêmico e profissional. Associado a isso já somos a terceira turma a concluir o curso com um trabalho monográfico o que incentiva e credencia o estudante na área da pesquisa.
Certamente sabemos que o diploma, o cruzar a linha de chegada gera momentos de efetivo bem-estar, mas acreditamos que este é apenas o começo de uma longa estrada a ser percorrida, com as nossas especializações, as atividades profissionais, os grupos de estudos, que nos proporcionarão encontros, desencontros e reencontros.
Encontrar é verbo transitivo, que no cotidiano, queríamos definitivo. Para a vida nascemos de um encontro, e de incontáveis encontros e vivencias, levamos marcas que norteiam e estruturam nosso jeito de ver, ser e viver.
Concluindo temos muito para recordar de nosso tempo na faculdade e muitas pessoas especiais guardadas no coração. Nesse momento, que também é marcado pela saudade fica como tesouro, as aulas, os passeios, a partilha dos sonhos, os gestos encorajadores, a torcida, o companheirismo... E sobretudo a mensagem de que devemos ter “fé na vida, fé no homem, fé no que virá, nós podemos tudo, nós podemos mais, vamos lá fazer o que será”.
Fonte: http://www.faced.ufba.br/destaques/discursos/discurso
Discurso de Formatura
Graduação em Direito
Estes são discursos de formatura proferidos por diversas pessoas em diversas ocasiões. Aproveite as idéias e crie um discurso que se encaixe no contexto de sua formatura!
Doutores, ilustríssimos, digníssimos, excelentíssimos, meritíssimos - são vocês colegas. É assim, que seremos chamados agora, colegas bacharéis. É assim que seremos conhecidos a partir de hoje. Seremos reconhecidos. Éramos um número quando passamos no vestibular. Uma "figura" de camiseta, tênis, pasta de calouro. Que lembrança mais feliz! Foi assim que aprendemos nossas primeiras obrigações, nossos direitos subjetivos, decoramos princípios, e como estudamos a tal ação humana típica ilícita e culpável... Usamos todos os nossos recursos na nossa melhor formação. Que o purismo, o formalismo exagerado, o contorcionismo intelectual feito para justificar que uns nascem mais iguais que outros, que a gravata, o tailler, não nos transforme de novo em um número: o número da ordem que dá direito a usar anel de rubi, toga e a pendurar o diploma na parede. Uma folha, um atestado de sabedoria - o diploma que recebemos hoje, deve valer mais ou menos 5 mil páginas. Foram os cinco anos em que, com certeza, lemos o maior número de livros até hoje. Os colegas podem me corrigir, contei, uns 57 livros. Lemos todos, inteiros. Bem, quase. Dormimos com eles, passamos a conhecê-los tão bem que os tratamos como amigos. Ah! o que o Sílvio acha disso?, o Orlando diz que não. Ah, o Tourinho é mais simples, né? Doutrinados que têm idade para ser nossos avós - bom se fossem - chamamos pelo primeiro nome. Somos colegas deles agora, bacharéis. Pesados volumes, páginas sublinhadas, dobradas, anotadas, na estante do nosso conhecimento. Provado em 144 avaliações, sem conta as finais e dependências. E sem contar também o número de xerox das aulas perdidas, dormidas, só eu tenho 673 folhas de caderno, 1.346 páginas escritas a mão. Tempo perdido? Absolutamente. Foram 3.570 aulas para decifrar o código jurídico. Principalmente 8 Códigos e uma respeitável Constituição. Exatos 6.484 artigos. Estudamos um por um. Ninguém duvide que muitos destes, sabemos de cor. Destaco um: "Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade". Seguem mais 77 incisos... Vou poupá-los. É o artigo quinto da Constituição Federal. Constituição que completa dez anos em 1998. Uma carta emendada, ainda nem toda regulamentada. Uma carta soberana, onde vamos buscar e proteger os direitos e garantias dos cidadãos brasileiros. E logo estão vindo reformas constitucionais, nova ordem administrativa, previdenciária. Nova lei eleitoral. 1998 é ano de eleições gerais para Governador, Senador, Presidente da República. Bom ano para começar a trabalhar, não é? Seremos nós que vamos processar, pedir, reclamar, contestar, defender, acusar, julgar. É isto que queremos, e para chegarmos aqui, nossos pais, namorados, esposas, maridos, filhos de alguns formandos, abriram mão de parte de nossa companhia. Agora, estão com razão, orgulhosos, e nós, honrados... É com imensa honra, e mais, com muita responsabilidade que recebemos nosso diploma. Tanto lutamos para nos formar, agora quem vai nos cobrar é o mundo. Toda a sociedade nos chamará de doutores, esperando de nós uma resposta. Seremos chamados de doutores por aquele que passa pelo maior problema da sua vida. Vamos ser os procuradores de quem foi enganado. Quem vai nos olhar e pedir ajuda é a vítima de um crime. Vamos socorrer quem quer que esteja sentindo o mundo inteiro e acusando... Nessa hora, nós é que seremos chamados, porque temos o direito de operar, com exclusividade, o mecanismo da justiça no Brasil. O advogado não é apenas essencial à administração do poder judiciário, ele é imprescindível na construção da cidadania - porque só é cidadão quem pode exercer todos os seus direitos civis, políticos e sociais. Não apenas conquistamos um direito, temos o dever de exercê-lo. Estamos preparados para isto. Mas jamais nos esqueçamos de buscar inspiração em Deus. Só há justiça onde Deus está presente. Ele nos fez sábios de coração e prudente no agir. Olhando um pouco para trás, quanto coisa mudou em cinco anos de estudo. Só não mudaram nossos desejos. Entramos na faculdade de Direito com o sonho de fazer justiça, saímos, agora, com o poder e o dever de realizá-la.
(Autor Desconhecido)
Fonte: http://www.formaturasweb.com.br/discursos.asp?mat=9
Discursos proferidos pelo Senhor Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso por ocasião da cerimônia de formatura das turmas "Florestan Fernandes" do Instituto Rio Branco
Senhoras e Senhores,
É sempre com genuína satisfação que retorno a esta Casa, que tive o privilégio de dirigir como Chanceler e de cuja competência e dedicação ao Brasil continuo tendo seguidas provas como Presidente da República.
Caros Formandos,
Vocês ingressam na carreira diplomática em um momento muito especial, que se projeta como verdadeiro ponto de inflexão na história do país e da Humanidade. Um momento em que a velocidade vertiginosa do progresso técnico e tecnológico é acompanhada por irreversível processo de globalização econômica. Como pano de fundo, há uma nova realidade política mundial, que se vem desenhando a partir do fim da confrontação ideológica.
Tirando conclusões equivocadas dessa nova realidade, surgem algumas vozes pregando a existência de uma "crise da diplomacia", atividade que tenderia a tornar-se obsoleta nesta era da "revolução da informação".
Nada mais distante da verdade.
É fato que estes novos tempos trazem desafios adicionais e implicam, forçosamente, novas demandas em termos de atuação externa. Reforça-se, por conseguinte, a necessidade de atualização e reaparelhamento da Chancelaria e da própria carreira diplomática. E sei que o Ministro Lampreia está pessoalmente engajado em levar adiante as reformas requeridas.
São tempos de diplomacia pública; tempos de universalização econômica e de grandes temas globais, como a proteção ao meio ambiente e aos direitos humanos; tempos de grandes movimentações transfronteiriças de pessoas, bens e capitais; tempos, enfim, da informação imediata, em tempo real, sobre os principais acontecimentos mundiais.
O trabalho da Chancelaria, essencial na execução da política externa, torna-se mais complexo, com a constante incorporação de novos interlocutores e o fortalecimento de novos agentes que atuam no plano internacional, como organizações não-governamentais e empresas transnacionais.
As unidades da Federação e os municípios assumem papel mais ativo na esfera internacional. E isto é positivo.
São cada vez mais freqüentes os contatos diretos entre Chefes de Estado. Na consolidação do MERCOSUL, por exemplo, o relacionamento pessoal e franco que se estabeleceu entre os Presidentes tem contribuído para a agilização do processo e a superação de dificuldades tópicas.
Em nada, porém, essas circunstâncias diminuem a importância da atuação diplomática. Ao contrário, reforçam-na. Oportunidades e perspectivas ampliadas para a inserção internacional do Brasil abrem-se em função da nova realidade que se desenha nos planos nacional e global.
Surgem, para o país, novas e claras prioridades, como a integração sub-regional no âmbito do MERCOSUL e o fortalecimento da assistência consular aos crescentes fluxos de turistas e emigrantes brasileiros residentes no Estrangeiro. Reforça-se o compromisso com o desarmamento e a não-proliferação de armas de destruição em massa. Amplia-se o debate, que nos interessa e que seguimos de perto, sobre a reforma do sistema das Nações Unidas. Definem-se parcerias de grande importância.
O aperfeiçoamento da competitividade no plano econômico-comercial adquire mais e mais relevância, ao mesmo tempo em que o poder nacional passa, em grande medida, pela capacitação tecnológica e pela capacidade de processamento da informação.
Mais do que nunca, se exigirá dos diplomatas brasileiros que façam uso da visão ampla e articulada que possuem dos interesses nacionais no plano externo.
A chamados como esse, no passado distante e recente, esta Casa de Rio Branco respondeu invariavelmente com afinco, dedicação e espírito público. São essas as mesmas qualidades com as quais enfrenta, agora, os novos desafios de um mundo em transição.
Senhoras e Senhores,
Caros Formandos,
É sabido que o processo de globalização, que vem gerando riquezas como jamais se viu em época anterior do desenvolvimento humano, traz também um elemento de exacerbação da competitividade, em vários níveis.
Isso não transforma as relações internacionais em um jogo de soma zero, uma vez que não é preciso que o progresso de uns se dê necessariamente em detrimento dos demais. Mas aumenta os riscos de exclusão daqueles que não são capazes de integrar-se nos fluxos internacionais e reforça a constatação de que sem estabilidade interna - política, econômica e social - um país não pode aspirar a uma projeção internacional positiva.
Em relações internacionais não há - não pode haver - passes de mágica ou exercícios de ilusionismo. O país real estabelece os limites e as possibilidades da atuação externa. Procurar dissociar a dimensão externa da interna é artificial, ilusório e contraproducente.
Não há diplomacia, por eficiente que seja, que possa mascarar um país que se recuse a encarar de frente seus problemas e a assumir, com transparência, as medidas necessárias para sua superação.
Se a diplomacia brasileira pode hoje apresentar um amplo inventário positivo de realizações, é porque o país efetivamente evoluiu, muito e em muitos aspectos.
Se podemos constatar que há uma melhor imagem do Brasil no exterior - como venho tendo a oportunidade de fazer diretamente em minhas viagens - e se é evidente um maior interesse internacional pelo país, devemos isso aos avanços concretos já logrados em termos de aperfeiçoamento institucional e de estabilidade econômica. Devemos isso, em primeiro lugar, à consolidação da democracia, que a seu turno permitiu a concepção, a implantação e o êxito do Plano Real.
Quando falo de um maior interesse internacional pelo Brasil, quero deixar claro que não se trata apenas de uma curiosidade teórica. A cada semana, tenho recebido grande número de empresários de várias partes do mundo, que vêm anunciar importantes investimentos produtivos no país.
Caberá a vocês, jovens diplomatas que hoje se formam, juntar-se à equipe comandada pelo Ministro Lampreia na representação desse novo país: de um Brasil que busca ativamente, com realismo e responsabilidade, uma presença internacional compatível com suas dimensões objetivas e com seu progresso recente; um Brasil ciente de suas dificuldades e do muito que ainda tem a avançar, mas ciente também de sua grandeza; um Brasil sem veleidades de poder mas também sem complexos ou inibições injustificadas.
Este novo Brasil não pode, em absoluto, admitir a recorrência de fatos como o massacre repugnante de duas semanas atrás em Eldorado dos Carajás.
Como disse mais de uma vez, este tipo de acontecimento coloca o Brasil na contramão da História. Constrange o país, o Presidente e todos aqueles realmente engajados em criar uma nação melhor, com maior justiça social.
O Brasil é respeitado, externamente, por sua sólida tradição de apego à paz e de repúdio à guerra e à violência.
Não podemos aceitar, em nenhuma hipótese, que a paz e a primazia do diálogo - princípios básicos de nossa atuação externa - pareçam objetivos inatingíveis no plano interno.
É chegada a hora de que cesse o desrespeito aos excluídos. É chegada a hora de tornar o Brasil um país mais justo !
E este país mais justo, e mais solidário, não é apenas desejável. É também possível. Mas sua realização não é, jamais poderá ser, a obra de um homem só, ou de um único Poder da República. É imprescindível continuar a ter o apoio e o comprometimento do Congresso Nacional e do Poder Judiciário, bem como dos estados e dos municípios. Do governo, enfim, em todas as suas esferas e níveis. É essencial o engajamento de toda a sociedade e de cada cidadão individualmente.
Daí a urgência em levar adiante as reformas estruturais que irão erguer o Brasil, todo ele e não apenas setores ou áreas privilegiadas, a um novo patamar de desenvolvimento e de justiça, consolidando as conquistas econômicas e avançando com determinação e seriedade na área social.
Meus caros Formandos,
Sinto-me pessoalmente honrado, e comovido, pelo fato de terem vocês eleito como Patrono a Florestan Fernandes, mestre e amigo cuja ausência muito tenho sentido.
Intelectual brilhante, educador inigualável e referência obrigatória dentro da moderna sociologia nacional, esse grande brasileiro legou-nos lições que devem servir de inspiração a todos: uma trajetória política marcada pela retidão mais absoluta, a denúncia corajosa das desigualdades e a coerência de toda uma vida de luta por um Brasil mais justo.
É sintomático, e por todos os títulos alvissareiro, que a cerimônia de hoje apresente como paraninfas duas professoras do curso de Leituras Brasileiras.
Esse curso foi criado durante minha gestão no Itamaraty, e nele tive o prazer de dar a aula inaugural, falando sobre as obras de Sérgio Buarque de Holanda, Gilberto Freyre e Caio Prado Júnior.
O conhecimento profundo do próprio país é matéria básica e insubstituível para o bom desempenho, pelo diplomata brasileiro, das importantes funções que lhe são exigidas. Aonde quer que estejam, para valer-me do moto de Rio Branco, a memória da pátria deve indicar-lhes o caminho a seguir.
Senhoras e Senhores,
Caros Formandos,
Assim como no ano passado - sesquicentenário do nascimento do Barão do Rio Branco - a celebração do Dia do Diplomata reveste-se neste ano de significado especial. É que, juntamente com a formatura de duas novas turmas de alunos do Instituto Rio Branco, comemoram-se os cinqüenta anos da criação do Curso de Preparação à Carreira de Diplomata, verdadeiro marco na história do Serviço Público brasileiro.
Digo isso com a experiência de quem vivenciou de perto o funcionamento do Itamaraty. Sinto-me, assim, muito à vontade ao reconhecer publicamente a importância, para o Brasil, de contar com uma classe de funcionários que integram uma real carreira de Estado, pautada pelo mérito profissional, pela preocupação da evolução constante e pelo sentido do serviço público em sua acepção mais nobre.
A vocês que hoje se formam, caberá a honra, mas também a responsabilidade, de fazer parte de uma classe de servidores que sempre se caracterizou pela defesa intransigente dos interesses mais altos do país, de integrar uma Casa que se pode orgulhar de uma inabalável tradição de bons serviços prestados à nação brasileira.
Fonte e guardiã de um inestimável patrimônio diplomático, esta Casa é hoje conduzida com firmeza pelo Ministro Luiz Felipe Lampreia, a quem quero expressar de público meu reconhecimento e gratidão.
O Itamaraty é um modelo, um exemplo a ser seguido. No Brasil melhor que procuramos construir, não deveria haver mais lugar para o corporativismo pequeno e pernicioso, alheio ao interesse comum e voltado unicamente para seus próprios objetivos, muitas vezes em detrimento do futuro do país.
Caros Formandos,
O país avança na rumo certo, e com o concurso de todos seguirá a avançar. Será melhor, mais justo e mais igualitário o Brasil que vocês representarão. Disso tenho certeza.
Muito obrigado.
Fonte:http://www2.mre.gov.br/irbr/IRBR/EC/presform.htm
Exma. Senhora Prefeita Municipal de Lavras Jussara Menicucci de Oliveira. Ilustríssimo Senhor Professor WALDOMIRO DOMINGOS DOS PASSOS, Diretor geral. Ilustríssimo Senhor Professor SAMUEL CARVALHO DE BENEDICTO, Diretor acadêmico e das Faculdades. Ilustríssimo Senhor Professor NEY Costa Souza, Coordenador do Curso de Ciências Contábeis da FADMINAS. Ilustríssimo Senhor Professor WELLINGTON DIAS PEREIRA, nosso querido Paraninfo. Ilustríssimo Senhor Professor RÔMULO DE JESUS DIEGUEZ DE FREITAS, patrono da turma. Ilustríssimos Professores homenageados e demais componentes da mesa. Estimados colegas formandos do curso de Ciências Contábeis, demais colegas formandos aqui presentes, Senhoras e Senhores.
Ao aceitar o convite e assumir o compromisso de ser oficialmente o orador da turma, muito me passou pela mente sobre o que dizer neste momento. É certo que deveria servir-me de simples e poucas palavras, mas que pudessem expressar de maneira singular a emoção, felicidade e satisfação que hoje inunda nossa alma pela obtenção da graduação em Ciências Contábeis. Dentro desta filosofia, buscando inspiração para montar este discurso, deparei-me com certo pensamento de Platão, que há muito também é de conhecimento dos sábios orientais, que ensina que “Grandes caminhadas começam com a decisão do primeiro passo”. Esta pequena frase tocou-me a alma e percebi o quanto se encontra ligada ao significado desta cerimônia e a esta etapa de nossas vidas que aqui se encerra.
Lembremo-nos do nosso primeiro passo. Foi dado em dezembro de 2002, ou talvez um pouco antes, quando decidimos que iríamos nos graduar e começamos a nos preparar para isso. Quando fizemos esta opção estávamos cientes que muito teríamos que renunciar para alcançar nossos objetivos, mas de tudo, o mais difícil seria abrir mão da companhia daqueles que tanto amamos. Como foi difícil para nós e para vocês! Mas é com muita honra e com sincero sentimento de agradecimento que vemos hoje seu sorriso, pai, mãe, irmãos, esposo, esposas, filhos, namorados e namoradas, agora inundado de profundo orgulho. Muitos estudaram sozinhos, outros fizeram cursinho, cada um a sua maneira, mas sempre oferecendo o melhor de si no ensejo de vencer o primeiro obstáculo: o vestibular. Sala cheia, olhares apreensivos e ali sobre a mesa o passaporte para a vida acadêmica. A se não fosse a sodinha para relaxar e esfriar um pouquinho a cabeça!!!
Passada essa fase ingressamos na faculdade. Esperava-mos as festas, confraternizações e churrascos que são característicos de início de curso. Mas não foi bem isto que encontramos. “O que? O professor vai passar matéria no primeiro dia de aula?”. Também fiquei, como muitos colegas, surpreso ao constatar que no primeiro dia de aula o Prof. Ney iniciaria o conteúdo da sua disciplina. “Ei, me empresta uma folha!”. E assim, professor após professor, todos iniciaram seus respectivos conteúdos e a aula já no primeiro dia findou-se às 11:05 h. Muitos, decepcionados ou desanimados com a rígida rotina, logo no início desistiram ou preferiram ir em busca de outras metas (Mas quem dos amigos formandos aqui presentes não se lembra do nosso querido Anderson e as suas apresentações malucas no powerpoint?), no entanto, continuamos seguindo, pois sempre tivemos a certeza de que por menor que fosse a semente lançada à terra, sendo ela de boa qualidade, com certeza, brotaria. É certo que éramos “crianças” acadêmicas, ainda imaturos e sem a real consciência da importância da graduação. Acostumados, nas palavras do ilustre Prof. Wellington, a “pagar para não levar”. Hoje mais maduros e esclarecidos, com idéias mais polidas, vemo-nos um reflexo, ainda que imperfeito, da faculdade que nos acolheu e nos transmitiu o conhecimento necessário para exercermos a profissão contábil, além é claro dos conceitos éticos, de retidão, amor, transparência, humildade e responsabilidade sempre presentes quer seja em sala de aula, nas semanas de iniciação científica, palestras ou seminários.
Não temos dúvida de que nesta faculdade encontramos pessoas com estas qualidades. Alguns deles são nossos homenageados e estão neste palco. Outros estão sentados na platéia nos assistindo. Infelizmente, não é possível homenagear a todos. Mas saibam que todos vocês são responsáveis pela nossa passagem. Deixamos aqui o nosso muito obrigado, em especial, a vocês professores. Devemos agradecer também à FADMINAS que se apresentou a nós não como uma agência de distribuição de diplomas, mas sim como nosso segundo lar. A instituição de ensino é porque não a mais poderosa arma com que contam os povos modernos, tanto para a vitória na guerra como para o progresso na paz, sem esquecer de que quem a faz é a mente e o coração de seus componentes. Basta pensar que se construirmos um prédio em formato de igreja e dentro dele não tivermos fé, ele nunca será um templo; se construirmos uma casa para morarmos e não reinar o amor dentro dela, ela jamais será um lar. Da mesma forma, se erguermos um prédio com formato de escola e não houver dentro dele ensino e aprendizado, nunca será um lugar de formação. Oxalá que de Deus continue a iluminar esta instituição na sua missão de ensino.
No decorrer deste período, tivemos sempre em mente que o que faz a vitória do ser humano não é somente a chegada, mas cada passo, cada minuto, em direção ao alvo, afinal a viagem deve ser tão boa quanto o destino. E como foi boa esta nossa viagem até aqui! Neste ambiente de profundo e intenso aprendizado passamos, juntos, 4 anos de nossas vidas. Foram inúmeras noites mal dormidas estudando para as provas, finais de semana elaborando trabalhos, sem contar a angústia pela timidez de apresentá-los à frente da turma, projeto de pesquisa, trabalho de pesquisa de campo na disciplina de estatística, as provas cujos balanços eram fechados após as 11:30 h (quando fechavam!!), entre várias outras atividades. Muito sofremos para conseguirmos conciliar o trabalho com faculdade. Mas uma característica que prevaleceu no Curso de Ciências Contábeis da FADMINAS foi a união da turma para vencer os obstáculos. Houveram momentos de divergências de pensamentos? Claro que sim. Mas o que é pequeno não merece menção. Um ponto característico desta turma era que sempre criávamos situações para descontrair um pouco e aliviar a tensão do estudo. Não poderia deixar de citar alguns exemplos que praticamente todos os nossos mestres aqui presentes testemunharam (e às vezes até participaram também!). Quem não se lembra do “Aniversário do Alysson”? Quer idéia mais criativa? Coisa do Fred. Nosso querido amigo Alysson teria hoje uns 300 anos se contássemos cada um dos “Parabéns a Você” cantados... Tudo brincadeira... era só uma maneira de descontrair e relaxar um pouco. E a gozação com o portal das grávidas? Era passar e engravidar! Eram tantas as grávidas (Elenice, Rosecleide, Euzete, Eliane, Ana Paula) que tivemos que mudar para o andar térrio para evitar as escadas. E como diria nosso amigo Heverton “Só mais uma coisinha, Só mais uma coisinha” impossível esquecer da contribuição dos professores, cada um a sua maneira, para esses momentos de descontração. Lembramos aqui do “fofinho, super cássio e da 1ª dama, super dul, e do Viajei pessoal?? Viajei??” do Prof. Rômulo. Do Prof. Fabiano recordamos, que nas suas tão bem elaboradas aulas de perícia, às vezes para quebrar um pouco o clima, incorporava, seriamente, na sua explanação frases do tipo “para cada ovo comido um pinto perdido”. Isto sem falar no Prof. Emerson que se desfazia em risos da imitação de buzina de kombi velha do Fred. E foi neste ambiente, durante 4 anos, conciliando muito esforço, perseverança, garra, renuncia e amizade que conseguimos dar todos os passos para concluirmos a nossa grande caminhada e estarmos hoje aqui nos despedindo da FADMINAS. Temos hoje a certeza de a profissão que escolhemos está inserida em um ambiente que sofre mudanças constantes. Temos, então, a missão de estarmos sempre atualizados e preparados para enfrentar novos paradigmas. Não podemos nos contentar apenas com o conhecimento adquirido até então. Como o mercado de trabalho é bastante concorrido, sabemos que precisamos aumentar sempre o nosso ritmo para nunca sermos superados. Não podemos nos dar por vencidos diante dos desafios encontrados no nosso caminho. Além do bacharelado em Ciências Contábeis, julgamo-nos ainda cidadãos mais esclarecidos. Queremos assim melhorar a consciência do nosso país, lutar por um Brasil melhor e mais digno. Temos a certeza de que a educação é fundamental para esse desenvolvimento. Ficará a saudade desses anos de faculdade, dos amigos, das aulas, das provas, das noites sem dormir, das festas, dos momentos de angústias, de alegria, de realização, de tudo aquilo que contamos os dias para acabar. A vontade era congelar e guardar tudo isso, amigos, esta época, tudo.... bobagem... egoísmo de nossa parte. Na música intitulada Canção da América, Minton Nascimento nos lembra que “Amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito”. E com certeza do lado esquerdo do peito, aqui no coração, cada um de vocês, mestres e formandos, já residem. Há alguns anos atrás, traçamos este objetivo e iniciamos nossa caminhada, hoje um sentimento de realização nos invade e podemos dizer: A MISSÃO FOI CUMPRIDA. É por tudo isso que peço a todos os formandos que se orgulhem da nossa conquista, da nossa profissão e orgulhem-se, também, da formação recebida. Estamos preparados para os desafios que virão. Tenham a certeza de que somos bons profissionais e seremos ainda melhores amanhã. Só depende de nós. A todos nós muito sucesso e que Deus nos proteja. Obrigado.
Cássio Marques da Silva Bel. em Ciências Contábeis
Fonte:http://www2.mre.gov.br/irbr/IRBR/EC/presform.htm
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